Antigo Testamento

7

18

1Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? e não são os seus dias como os dias do jornaleiro?

2Como o cervo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

3Assim me deram por herança mezes de vaidade: e noites de trabalho me prepararam.

4Deitando-me a dormir, então digo, Quando me levantarei? mas comprida é a noite, e farto-me de me voltar na cama até á alva.

5A minha carne se tem vestido de bichos e de torrões de pó: a minha pelle está gretada, e se fez abominavel.

6Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e pereceram sem esperança.

7Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

8Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais: os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.

9Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquelle que desce á sepultura nunca tornará a subir.

10Nunca mais tornará á sua casa, nem o seu logar jámais o conhecerá.

11Por isso não reprimirei a minha bocca: fallarei na angustia do meu espirito; queixar-me-hei na amargura da minha alma.

12Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda ?

13Dizendo eu: Consolar-me-ha a minha cama: meu leito alliviará a minha ancia;

14Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras:

15Pelo que a minha alma escolheria antes a estrangulação: e antes a morte do que a vida.

16A minha vida abomino, pois não viveria para sempre: retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.

17Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre elle o teu coração,

18E cada manhã o visites, e cada momento o proves?

19Até quando me não deixarás, nem me largarás, até que engula o meu cuspo?

20Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? porque fizeste de mim um alvo para ti por tropeço, para que a mim mesmo me seja pesado?

21E porque me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.