Novo Testamento

Mateus 8

18

1E descendo elle do monte, seguiu-o uma grande multidão.

2E, eis-que veiu um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se tu queres, podes purificar-me.

3E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero: sê puro. E logo ficou purificado da lepra.

4Disse-lhe então Jesus: Olha não o digas a alguem, mas vae, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a offerta que Moysés determinou, para lhes servir de testemunho.

5E, entrando Jesus em Capernaum, chegou junto d'elle um centurião, rogando-lhe,

6E dizendo: Senhor, o meu creado jaz em casa paralytico, e violentamente atormentado.

7E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saude.

8E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize sómente uma palavra, e o meu creado sarará;

9Pois tambem eu sou homem sujeito ao poder, e tenho soldados ás minhas ordens; e digo a este: Vae, e elle vae; e a outro: Vem, e elle vem; e ao meu creado: Faze isto, e elle o faz.

10E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé.

11Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do occidente, e assentar-se-hão á mesa com Abrahão, e Isaac, e Jacob, no reino dos céus;

12E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.

13Então disse Jesus ao centurião: Vae, e como creste te seja feito. E n'aquella mesma hora o seu creado sarou.

14E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra d'este jazendo com febre.

15E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os.

16E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e com a palavra expulsou d'elles os espiritos malignos, e curou todos os que estavam enfermos;

17Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz: Elle tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.

18E Jesus, vendo em torno de si uma grande multidão, ordenou que passassem para a banda d'alem;

19E, approximando-se d'elle um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei.

20E disse Jesus: As raposas teem seus covis, e as aves do céu teem seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

21E outro de seus discipulos lhe disse: Senhor, permitte-me que primeiro vá sepultar meu pae.

22Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos.

23E, entrando elle no barco, seus discipulos o seguiram;

24E eis que no mar se levantou uma tempestade tão grande que o barco era coberto pelas ondas; elle, porém, estava dormindo.

25E os seus discipulos, approximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.

26E elle disse-lhes: Porque temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, reprehendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.

27E aquelles homens se maravilharam, dizendo: Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

28E, tendo chegado á outra banda, á provincia dos gergesenos, sairam-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulchros, tão ferozes que ninguem podia passar por aquelle caminho.

29E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós comtigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui a atormentar-nos antes de tempo?

30E andava pastando distante d'elles uma manada de muitos porcos.

31E os demonios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permitte-nos que entremos n'aquella manada de porcos.

32E elle lhes disse: Ide. E, saindo elles, se introduziram na manada dos porcos; e eis que toda aquella manada de porcos se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas aguas.

33E os porqueiros fugiram, e, chegando á cidade, divulgaram todas aquellas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados.

34E eis que toda aquella cidade saiu ao encontro de Jesus, e, vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.