Antigo Testamento

Eclesiastes 10

18

1Assim como a mosca morta faz exhalar mau cheiro e evaporar o unguento do perfumador, assim o faz ao famoso em sabedoria e em honra uma pouca de estulticia.

2O coração do sabio está á sua dextra, mas o coração do tolo está á sua esquerda.

3E, até quando o tolo vae pelo caminho, falta-lhe o seu entendimento e diz a todos que é tolo.

4Levantando-se contra ti o espirito do governador, não deixes o teu logar, porque é um remedio que aquieta grandes peccados.

5Ainda ha um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede de diante do governador.

6Ao tolo assentam em grandes alturas, mas os ricos estão assentados na baixeza.

7Vi os servos a cavallo, e os principes que andavam a pé como servos sobre a terra.

8Quem cavar uma cova, cairá n'ella, e, quem romper um muro, uma cobra o morderá.

9Quem acarretar pedras, será maltratado por ellas, e o que rachar lenha perigará com ella.

10Se estiver embotado o ferro, e não se amollar o córte, então se devem pôr mais forças: mas a sabedoria é excellente para dirigir.

11Se a cobra morder, não estando encantada, então remedio nenhum se espera do encantador, por mais habil que seja.

12Nas palavras da bocca do sabio ha favor, porém os labios do tolo o devoram.

13O principio das palavras da sua bocca é a estulticia, e o fim da sua bocca um desvario pessimo.

14Bem que o tolo multiplique as palavras, não sabe o homem o que ha de ser; e quem lhe fará saber o que será depois d'elle?

15O trabalho dos tolos a cada um d'elles fatiga, porque não sabem ir á cidade.

16Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança, e cujos principes comem de manhã.

17Bemaventurada tu, ó terra, cujo rei é filho dos nobres, e cujos principes comem a tempo, para refazerem as forças, e não para bebedice.

18Pela muita preguiça se enfraquece o tecto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa.

19Para rir se fazem convites, e o vinho alegra a vida, e por tudo o dinheiro responde.

20Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tão pouco no mais interior da tua recamara amaldiçoes ao rico: porque as aves dos céus levariam a voz, e os que teem azas dariam noticia da palavra.