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Efésios 3

Thomas Aquinas

Efésios 3:1

O Apóstolo já havia narrado as numerosas bênçãos de Deus concedidas ao gênero humano e aos próprios Apóstolos; aqui ele se volta para as bênçãos especiais de Deus concedidas a si mesmo. Primeiro ele expõe seu pensamento de uma maneira geral. Em segundo lugar, ele explica cada parte detalhadamente (3:3). Em relação ao primeiro ele faz duas coisas: Primeiro, ele descreve sua condição em relação à paciência e aos sofrimentos que suporta. Em segundo lugar, em referência aos dons da graça que Deus lhe deu (3:2). Ele comenta: Eu disse que “também vós juntamente sois edificados para morada de Deus” (Efésios 2:22); Por esta causa, da vossa edificação e conversão a Cristo, eu, Paulo, sou prisioneiro em Roma; minha grandeza está em ser um Apóstolo de Jesus Cristo e um professor de fé e verdade para as nações. Ele escreveu esta carta de Roma, onde foi mantido sob custódia. “Trabalho até em bandos, como um malfeitor” (2Tm 2:9); “Eu, portanto, sou prisioneiro no Senhor...” (Efésios 4:1). Certamente isto indica o seu sofrimento e dor em meio à miséria da prisão. Como não é o castigo que faz o mártir, mas a razão [por que ele sofre], ele insere a causa de suas tribulações. Existem duas causas pelas quais alguém pode perseguir o martírio. Um, se ele sofresse pela fé em Cristo ou por qualquer outra virtude. “Mas nenhum de vós sofra como homicida, ou ladrão, ou maldizente, ou cobiçador das coisas alheias. Mas, se for cristão, não se envergonhe” (1 Pedro 4:15-16). A respeito disso ele afirma que é prisioneiro de Jesus Cristo. A outra é se alguém sofre pela utilidade da Igreja, a respeito da qual ele diz para vocês, gentios, isto é, anseio tanto pela conversão, e assim vos prego a palavra da salvação, que fui jogado na prisão. “Estamos em tribulação pela tua exortação e salvação” (2 Coríntios 1:6). “Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês” (Colossenses 1:24). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:2

Então ele dá a conhecer o dom da graça que lhe foi dado, como se dissesse: Afirmo que sou um prisioneiro para vocês, gentios, se vocês já ouviram falar da dispensação da graça de Deus que me foi dada para convosco. Isto pode ser entendido de duas maneiras. Num deles, a dispensação é tomada num sentido passivo. Aqui, se você já ouviu falar da dispensação da graça significa, se você entendeu que esse dom de ser apóstolo entre as nações me foi dispensado. Pois, como é mencionado abaixo: “A cada um de nós foi dada a graça, conforme a medida da dádiva de Cristo... ele deu alguns apóstolos e alguns profetas...” (Efésios 4:7, 11). De onde o Senhor Cristo me deu, para que eu produzisse frutos de graça entre vocês, e isso coube a mim pela graça de Deus. “Fui feito ministro do Evangelho” (Colossenses 1:23). Digo a dispensação da graça de Deus que me foi dada para convosco, isto é, fui incumbido de dispensar essas [graças]. Numa segunda forma, a dispensação é tomada ativamente para que o sentido de se você ouviu falar da dispensação da graça seja, se você entendeu o que me foi concedido: que eu possa dispensar os dons da graça através da comunicação dos sacramentos a você. “Que o homem nos considere como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4:1). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:3

Posteriormente, quando ele diz como isso, segundo a revelação... ele dá a conhecer detalhadamente os vários aspectos de sua condição. Em referência ao qual ele faz duas coisas: Primeiro, ele trata do que diz respeito à dignidade do seu ofício, a saber, a dispensação da graça. Em segundo lugar, o que diz respeito à sua experiência de paciência, ou seja, tribulações (3:13). A primeira parte contém duas seções: Primeiro, ele discute a dispensação da graça em relação ao conhecimento de vários mistérios. Em segundo lugar, a respeito de como estes [mistérios] são realizados (3:7). Mais uma vez a primeira seção tem duas divisões: Primeiro, ele expõe o conhecimento dos mistérios de Cristo que lhe foi concedido. Em segundo lugar, ele explica o que é esse mistério (3:6). Ele destaca três pontos em relação ao seu conhecimento: Primeiro, é certo (3:3a). Em segundo lugar, está completo (3:3b-4). Em terceiro lugar, é eminente (3:5). Certamente é, pois ele não a adquiriu através do esforço humano ou do pensamento humano, que pode errar: “Os pensamentos dos homens mortais são tímidos e os nossos conselhos incertos” (Sb 9:14). Em vez disso, é através da lei divina que é mais certa. Por isso ele diz que de acordo com a revelação o mistério me foi revelado. “Pois não o recebi de homem algum, nem o aprendi, senão pela revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1:12). “Todos nós, contemplando a glória do Senhor com o rosto aberto, somos transformados na mesma imagem” (2 Coríntios 3:18). Além disso, é um [conhecimento] pleno, pois me é revelado perfeitamente, e eu o confio ao seu julgamento. Escrevo-o em poucas palavras, nas quais podereis reconhecer que gozo de um conhecimento perfeito dos mistérios da fé. E a respeito disso ele diz como escrevi acima em poucas palavras claramente, que enquanto você está lendo, você pode entender. “Os teus lábios... são como um favo de mel que cai” (Cant. 4:11). Os lábios são pequenos; e os de um médico são como “um favo de mel” quando ele transmite muitos e profundos pensamentos em poucas palavras. - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:4

Todavia, note que Agostinho observa como um doutor deve procurar ser entendido. Enquanto ele se esforça por isto suas palavras não são supérfluas, mas se ele permanece em um ponto depois que foi entendido ele desperdiça suas palavras. Ele acrescenta minha prudência pois 'o conhecimento do Santo é prudência' (Provérbios 9:10). Isto não é mundano mas divino e celestial, por qual razão ele afirma no mistério de Cristo. — Comentário de Efésios

Efésios 3:5

Também é eminente porque foi revelado somente aos apóstolos. Daí ele acrescenta o que em outras gerações não era conhecido. Pois embora os mistérios de Cristo tenham sido revelados aos profetas e patriarcas, foram revelados mais claramente aos Apóstolos. Aos profetas e patriarcas foram revelados em uma vaga generalidade; mas eles foram mostrados em suas circunstâncias singulares e determinadas aos apóstolos. Outras gerações admitem uma dupla explicação. Num deles, por gerações são entendidos os tempos das gerações, como no Salmo 144 (13): “O teu domínio dura por todas as gerações”. Então o significado é que em outras gerações, isto é, tempos, [o mistério] não era conhecido pelos filhos dos homens, por nenhuma criatura racional, nem pelos homens nem pelos anjos. “Ocultaste estas coisas aos sábios e aos entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt. 11:25). Como agora é revelado aos seus santos apóstolos e profetas no Espírito, ou seja, àqueles que interpretam as Escrituras e explicam a Lei no espírito do Novo Testamento. “A vós é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas aos demais é dado por parábolas” (Lc 8:10). “E voltando-se para os seus discípulos, disse: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes. Pois eu vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram” (Lucas 10:23-24). Outra interpretação considera gerações no sentido de gerações humanas, como em Mateus 23 (36): “Todas estas coisas sobrevirão a esta geração”. Então o significado é o que nas outras gerações não era conhecido por aqueles homens, isto é, que nasceram nas gerações anteriores. O resto [é interpretado] como acima. "Quem acreditou em nosso relatório? E a quem foi revelado o braço do Senhor?" (Is. 53:1). Mas certamente este sacramento da fé foi revelado a alguns dos pais do Antigo Testamento, como está implícito em João 8 (56): "Abraão, teu pai, alegrou-se por ver o meu dia; viu-o e alegrou-se." E [também foi revelado] aos profetas, conforme Joel 2 (28): “E acontecerá depois disto que derramarei o meu espírito sobre toda a carne; e vossos filhos e vossas filhas profetizarão”. Mas foi revelado a eles em certas generalidades, ao passo que [foi revelado] aos apóstolos clara e completamente. Três razões explicam isso. Primeiro, porque os Apóstolos receberam imediatamente a revelação do Filho de Deus: “O Filho unigênito que está no seio do Pai, ele o declarou” (Jo 1,18). Os profetas e pais do Antigo Testamento, por outro lado, foram ensinados por anjos, ou através de alguma imagem semelhante: “E um dos serafins voou para mim; e na sua mão havia uma brasa viva que ele havia tirado do altar com uma tenaz” (Is. 6:6). Conseqüentemente, os apóstolos o receberam com mais clareza. Em segundo lugar, eles não viam símbolos e enigmas como os profetas, mas receberam uma visão clara da glória do Senhor: “Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes” (Lucas 10:23). Em terceiro lugar, visto que os Apóstolos deveriam levar a cabo e comunicar este sacramento, era necessário que fossem mais instruídos nele do que outros. “Outros trabalharam; e vós participastes nos seus trabalhos” (João 4:38). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:6

Consequentemente, quando ele afirma que os Gentios deveriam ser co-herdeiros, torna conhecido qual é o sacramento. Em referência a isto, deve-se reconhecer que os Judeus gozavam três prerrogativas com respeito aos Gentios. Eles tinham a herança prometida: "Pois não é pela lei que a promessa foi feita a Abraão ou a sua descendência, de que seria herdeiro do mundo; mas pela justiça da fé" (Rm. 4:13); "O Senhor é a porção de minha herança" (Sl. 15:5). Outra era sua eleição especial, foram separados dos Gentios: "O Senhor teu Deus te escolheu para ser seu povo peculiar de todos os povos que estão sobre a terra" (Dt. 7:6). "Nós somos seu povo e o rebanho de seu pasto" (Sl. 99:3); "Uma é minha pomba: minha perfeita é somente uma" (Ct. 6:8). Finalmente, tinham a promessa de um Cristo: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn. 12:3). Estas três os Gentios não gozavam: "Vós estávamos naquele tempo sem Cristo, sendo alheios à convivência de Israel" (Ef. 2:12). Pela fé, porém, as receberam. Primeiro, compartilham da herança; quanto a isto diz co-herdeiros com os Judeus na herança celestial. "E vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e se assentarão com Abraão, Isaac e Jacob no reino dos céus" (Mt. 8:11). Segundo, [são admitidos] à comunidade escolhida de crentes; assim afirma do mesmo corpo, isto é, em um corpo. "E tenho outras ovelhas que não são deste aprisco", a saber, os Gentios, "elas também eu devo trazer. E elas ouvirão minha voz; e haverá um aprisco e um pastor" (Jo. 10:16). Terceiro, [são admitidos] a uma participação na graça prometida; ele diz que são co-participantes de sua promessa, as promessas feitas a Abraão. "Pois digo que Cristo Jesus foi ministro da circuncisão por causa da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos pais; mas que os Gentios glorifiquem a Deus por sua misericórdia" (Rm. 15:8-9). Os Gentios adquiriram tudo isto, não através de Moisés, mas em Cristo. "Pois a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (Jo. 1:17), "por quem nos deu promessas mui grande e preciosas" (2 Pd. 1:4). Além disso, estas não vieram através do cumprimento da lei, cuja carga "nem nossos pais nem nós temos podido carregar" (At. 15:10), mas pelo evangelho através do qual todos os homens são salvos. "Pois não me envergonho do evangelho. Pois é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê; ao Judeu primeiro e ao Grego" (Rm. 1:16). "Agora vos faço conhecer, irmãos, o evangelho que vos preguei, que também recebestes e no qual vós permaneceis. Por meio do qual também vós sois salvos" (1 Cor. 15:1-2). — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:7

Depois que o Apóstolo discutiu a graça que lhe foi dada em relação ao conhecimento dos mistérios divinos (3:3), ele indica o mesmo com respeito à efetivação desses mistérios. A respeito disso ele destaca dois pontos: Primeiro, ele reconhece a ajuda da graça que lhe foi concedida para colocá-los em prática. Em segundo lugar, ele fala do dever ministerial que lhe foi confiado (3:8). A primeira possui duas divisões: Primeiro, ele trata brevemente de colocar em prática os mistérios divinos. Em segundo lugar, ele mostra como lhe foi prestada ajuda (3.7b). A realização das realidades divinas foi confiada a ele por meio de um ministério. Ele diz a respeito disso: Afirmo que este ministério me foi confiado, que os gentios são co-herdeiros do Evangelho e através dele também participam da promessa de Deus em Cristo Jesus, de quem fui feito ministro. Como se afirmasse: não cumpro nem realizo [este mistério] como se viesse de mim ou fosse meu, mas como um ministério que pertence a Deus. “Porque este homem é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios” (Atos 9:15). “Que o homem nos considere como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus” (1 Coríntios 4:1). Quando escreve segundo o dom da graça de Deus, aborda a ajuda que lhe foi concedida para cumprir os mistérios. Este tipo de assistência era duplo. Uma delas era a capacidade de colocá-las em prática e outra eram as próprias ações ou atividades. Deus concede a capacidade ao infundir a virtude e a graça através das quais um homem é capaz e apto para a ação; enquanto ele confere a própria ação, na medida em que nos move interiormente e nos estimula ao bem. Recebendo ambos de Deus, o Apóstolo reconhece o primeiro ao dizer: Sou feito ministro, certamente não por meus próprios méritos, nem por minha própria virtude, mas segundo o dom da graça de Deus que me é dada. Pois fui feito digno de realizar os mistérios divinos que anteriormente havia perseguido. “Trabalhei muito mais do que todos eles. Contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Coríntios 15:10). Em referência ao segundo, ele afirma de acordo com a operação que Deus efetua, na medida em que seu poder nos faz querer e agir de acordo com a boa vontade. Isto pode ser interpretado de outra forma de acordo com uma Glossária. O que é dito aqui refere-se ao que precedeu imediatamente (v. 6). Para os pagãos terem se tornado co-herdeiros, e do mesmo corpo, e co-parceiros da promessa de Deus Pai - este é um presente que Deus deu aos gentios em Cristo. Isto é, eles vêm através de Cristo, de acordo com a operação do seu poder, na medida em que ele agiu poderosamente ao ressuscitar Cristo dentre os mortos. - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:8

A seguir (v. 8), fala do dever que lhe foi confiado; a graça de tal comissão tem três qualidades que a recomendam: Primeiro, a condição da própria pessoa [a quem é confiado]. Em segundo lugar, a grandeza daquilo que lhe é confiado (3:8b). Em terceiro lugar, o bem que resulta como fruto (3.10 e segs.). O cargo que lhe foi confiado é recomendado pela condição desta pessoa. Pois se algum rei confiasse um cargo importante a um grande príncipe de alto escalão, ele não estaria lhe fazendo um grande favor, pois estaria colocando uma pessoa importante em uma posição importante. Mas se ele confiar um dever grande e extremamente difícil a uma pessoa insignificante, ele o honraria grandemente e lhe faria um favor considerável; tanto mais na proporção que a eminência do cargo o excede. Desta forma, Paulo elogia a gratuidade do ofício que lhe foi confiado: A mim, o menor de todos os santos, é dada esta graça. Ele se autodenomina o menor, não por causa do poder que lhe foi concedido, mas em reconhecimento de seu estado anterior: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus” (1 Coríntios 15:9). “O menor se tornará mil, e o menor se tornará uma nação mais forte” (Is. 60:22). Este [dever deveria ser cumprido] entre os gentios, isto é, em todas as nações. "Porque aquele que operou em Pedro o apostolado da circuncisão, operou em mim também entre os gentios. E, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que pareciam colunas, deram a mim e a Barnabé as destras de comunhão; para que fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão" (Gálatas 2:8-9). Em segundo lugar (3,8b), a graça da sua missão é elogiada pela magnitude da sua tarefa: revelar e esclarecer os grandes e ocultos segredos de Deus. Pense na grandeza de Cristo e na salvação daqueles que acreditam que ele realizou. Todo o Evangelho diz respeito a estes dois. Quanto ao primeiro, ele diz para pregar as riquezas insondáveis ​​de Cristo, como se afirmasse: Anunciar o bem é a graça que me foi dada. “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho” (1 Coríntios 1:17). “Ai de mim se eu não pregar o evangelho” (1 Coríntios 9:16). Este bem são as riquezas insondáveis ​​de Cristo, que são a verdadeira riqueza. “Deus, que é rico em misericórdia... nos vivificou juntamente em Cristo” (Efésios 2:4); "Ou desprezas as riquezas de sua bondade, paciência e longanimidade?" (Romanos 2:4); “Ele é Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam” (Romanos 10:12). Estas riquezas são realmente insondáveis, afirma ele, porque são tão grandes como a sua misericórdia, que não pode ser compreendida nem analisada. “Riquezas de salvação, sabedoria e conhecimento: o temor do Senhor é o seu tesouro” (Is. 33:6), referindo-se a Cristo, já que a reverência ao Senhor encontrou sua expressão mais abundante em Cristo. “E ele ficará cheio do espírito de temor do Senhor” (Is. 11:3). Em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:3). São insondáveis ​​porque a sabedoria e o conhecimento de Cristo não podem ser analisados. "Porventura você compreenderá os passos de Deus e descobrirá o Todo-Poderoso perfeitamente?" (Jó 11:7). A resposta implícita é: Não. Pois as criaturas, nas quais é visível um traço do seu Criador, não nos fornecem uma compreensão perfeita Dele. Impressionado com a maravilha destas riquezas, o Apóstolo exclamou: "Ó profundidade das riquezas da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão incompreensíveis são os seus julgamentos e quão inescrutáveis ​​os seus caminhos!" (Romanos 11:33). "Quem buscou a sabedoria de Deus que precede todas as coisas?" (Eclesiastes 1:3). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:9

Quanto ao segundo—fazer conhecida a salvação que vem de Cristo aos que creem—ele diz para iluminar todos os homens, não somente os judeus, mas também os gentios, por meio da pregação e de milagres. "Iluminarei todos os que esperarem no Senhor" (Eclo. 24:45). "Este homem é para mim um vaso de eleição, para levar meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel" (At. 9:15); "Vós sois a luz do mundo" (Mt. 5:14). Iluminar, eu digo, na medida em que posso, todos os que querem crer. Pois Deus "deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm. 2:4) a fim de que compreendessem qual é a dispensação do mistério. Pois estes [mistérios] seriam de nenhuma utilidade se não fossem comunicados [aos homens]. Como se afirmasse: Iluminarei os homens sobre quão impressionante é o mistério de nossa redenção, e por quanto imenso amor foi realizado. Riquezas inesgotáveis dessa sorte vos são comunicadas por Cristo. Todavia poderia ser objetado: O que você fala é conhecido de todos, ainda que seja grande. O Apóstolo dá resposta negativa, tem estado oculto desde a eternidade. Aqui deve-se notar como tudo presente em um efeito está oculto no poder de suas causas. Por exemplo, no poder do sol está contido tudo quanto existe entre as realidades que vêm a ser e deixam de ser. Não obstante, certos [efeitos] estão ali ocultos, e outros são evidentes. Por exemplo, o calor está evidentemente no fogo enquanto a inteligibilidade de outros [efeitos], que ele produz de maneira mais oculta, é dito estar oculta nele. Ora Deus é a causa eficiente de todas as coisas; ele faz algumas coisas cuja inteligibilidade é aberta [à investigação], a saber, aquelas criadas por mediação de causas segundas. Outros efeitos, porém, que ele imediatamente produz por si mesmo estão ocultos nele. Uma vez que Deus realizou por si mesmo o mistério da redenção humana, este mistério está oculto nele somente. Assim ele afirma que está oculto desde a eternidade em Deus, conhecido somente por ele. Todavia, procurar os segredos da Causa Primeira é a maior [sabedoria]: "Falamos sabedoria entre os perfeitos; mas não a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo que se desfazem. Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, uma sabedoria que está oculta, que Deus ordenou antes do mundo" (1 Cor. 2:6-7). Aquele, eu digo, que criou todas as coisas. — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:10

Depois de expor a dignidade do seu ofício que surge da magnitude daquilo que lhe é confiado (3:8), o apóstolo aqui dá evidência do valor do seu ofício a partir da utilidade do seu efeito. Isto consiste na revelação de grandes realidades a pessoas eminentes. Três pontos devem ser considerados a respeito disso: Primeiro, a quem a revelação é dirigida (3.10a). Em segundo lugar, por meio de quem é divulgado, ou seja, por meio da igreja (3.10b). Terceiro, o que é revelado, a saber, a multiforme sabedoria de Deus (3:10a). O Apóstolo aborda quatro pontos na sua descrição desta sabedoria: Primeiro, suas muitas facetas (3:10). Em segundo lugar, como é tão variado (3.11a). Terceiro, a fonte desta multiplicidade (3.11b). Em quarto lugar, o efeito de vir daquela fonte (3:12). A sabedoria que é revelada é múltipla. Jó 11 (5) fala brevemente desta diversidade: “E desejo que Deus fale contigo e te abra os lábios, para que te mostre os segredos da sabedoria, e que a sua lei é múltipla”. “Pois nela”, isto é, na sabedoria divina, “está o espírito do entendimento: santo, único, múltiplo” (Sb 7:22). Múltiplo isto é, em seus efeitos, mas um em sua essência. Ele discute aqueles a quem a multiforme sabedoria de Deus é revelada: para que ela seja divulgada aos principados e potestades, dos quais sua grandeza é evidente. E, como também existem príncipes e potentados na terra, ele acrescenta nos lugares celestiais, significando no céu, onde estaremos. Observe aqui que Principados e Poderes são duas categorias que, pelos seus próprios nomes, designam uma preeminência em ação. A categoria dos Poderes é ordenada para verificar quaisquer obstáculos à salvação, enquanto a categoria dos Principados assume a liderança e dá ordens para que [a salvação] possa ser realizada de maneira adequada. A função reguladora da categoria de Principado fica evidente naquele texto do Salmo 67 (26-28): “Os príncipes iam antes unidos aos cantores... Os príncipes de Judá são os seus líderes”. A função repressiva dos Poderes fica clara em Romanos 13 (3-4): “Então não terás medo do poder? Faze o que é bom; Conseqüentemente, aqueles a quem [o mistério] é dado a conhecer são eminentes; os santos anjos por quem os santos são dirigidos e protegidos. O meio pelo qual a multiforme sabedoria de Deus lhes é dada a conhecer é designado por sua palavra por meio da igreja. Isto não representa um pequeno problema. For a Gloss tem "Isto é, através dos Apóstolos pregando na Igreja." Esta é uma forma de entender: os anjos são ensinados pelos apóstolos, e isso parece ter alguns fundamentos. Pois notamos que no céu os anjos superiores, que são iluminados imediatamente por Deus, iluminam e ensinam os anjos inferiores que não são iluminados imediatamente por Deus. Portanto, não parece irracional que os Apóstolos ensinassem os anjos, uma vez que foram ensinados imediatamente por Deus, segundo João 1 (18): “O Filho unigênito que está no seio do Pai, ele o declarou”. Contudo, outro fator perturba a suficiência desta [interpretação]. Pois existem duas naturezas em Cristo, a divina e a humana. Os Apóstolos foram ensinados imediatamente por Cristo em sua natureza humana; mas os anjos intuem imediatamente a natureza divina - mesmo os anjos inferiores, caso contrário não seriam felizes, pois a bem-aventurança de uma criatura racional pode consistir apenas na visão da Essência Divina. Certamente seria impróprio e absurdo sustentarmos que os santos da pátria poderiam ser ensinados até mesmo pelos mais perfeitos daqueles que ainda estão a caminho [para o céu]. Embora entre os homens nascidos de mulher não tenha surgido nenhum maior do que João Batista, ainda assim “aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Lucas 7:28). Afirmar que os demônios poderiam ser instruídos pelos homens é, à primeira vista, credível. Mas que os bem-aventurados pudessem ser educados pelos peregrinos quando contemplassem imediatamente a Palavra, o espelho imaculado que reflete todo o ser, isso não deveria ser sustentado e não parece apropriado. Portanto, deve-se afirmar que os anjos são instruídos através da igreja, isto é, através da pregação apostólica, como sustenta a Glosa, de tal forma que não são ensinados pelos Apóstolos, mas neles. Agostinho observa, em seu Super Genesim ad Litteram, que antes de Deus criar os seres [materiais], ele imprimiu nas mentes angélicas os padrões inteligíveis das realidades naturais. O “antes” designa a ordem da natureza e não do tempo, pois do ponto de vista do tempo tudo foi criado junto. Como resultado, os anjos conhecem as coisas naturais de duas maneiras. Eles os conhecem na Palavra, e isso é chamado de conhecimento matinal; e eles os conhecem em suas próprias naturezas, isso é chamado de conhecimento noturno. Além disso, existem certos padrões inteligíveis [operativos] nos mistérios da graça que transcendem toda a criação. Esses padrões inteligíveis não estão impressos nas mentes angélicas, mas estão ocultos somente em Deus. Assim, os anjos não os apreendem em si mesmos, nem mesmo em Deus, mas apenas à medida que se desenrolam nos eventos [que os mistérios] efetuam. Agora, os padrões inteligíveis relativos à multiforme sabedoria de Deus pertencem a esta categoria. Eles estão ocultos em Deus e gradualmente se desdobram em efeitos externos. É claro, portanto, que os anjos não os compreenderão nem em si mesmos, nem na Palavra, nem pelos Apóstolos ou qualquer outro viajante. Em vez disso, eles conhecem [os mistérios da graça] ocultos na Mente Divina à medida que se revelam nos próprios Apóstolos. É como o caso de uma casa, ou o conceito de uma casa a construir, na mente de um arquitecto. Enquanto permanecer em sua mente, ninguém poderá conhecê-lo - exceto Deus, o único que penetra nas almas humanas. Porém, uma vez que os conceitos são concretizados externamente na construção, na casa depois de construída, qualquer pessoa pode aprender com a construção o que antes estava oculto na mente do arquiteto. No entanto, eles não são ensinados em casa, mas dentro de casa. Há ainda outra interpretação de que pode ser dado a conhecer aos principados e potestades em que a conjunção que não é tomada causalmente, mas de certa forma, consecutivamente. Assim seria: Para tornar conhecida qual é a dispensação do mistério escondido há séculos em Deus que criou toda a realidade; oculto, no entanto, de tal forma que foi dado a conhecer aos Principados e Potestades. O sacramento estava oculto em Deus de tal maneira que mais tarde ele o revelou aos Principados e Poderes, não desde a eternidade, mas desde o momento em que começaram a existir, pois toda criatura tem um começo. Isto não aconteceu através da Igreja terrena, mas através da Igreja celestial - a verdadeira Igreja que é nossa mãe e a quem tendemos; nela está modelada a nossa Igreja militante. Assim, o através significa apenas uma sequência natural, [os mistérios] são divulgados “através da Igreja celestial” no sentido de que são transmitidos de um para outro. Como quando se diz: Esse fato é conhecido em todo um reino ou cidade porque a notícia passou de uma pessoa para outra em suas conversas. Atos 9 (42) usa esta figura de falar em referência à ressurreição de Tabita por São Pedro: "E isso foi divulgado em toda Joppe; e muitos creram no Senhor." Por outro lado, o Mestre comenta o texto de Agostinho de tal maneira que “para iluminar todos os homens, para que vejam qual é a dispensação do mistério que está oculto desde a eternidade em Deus” (Efésios 3:9) ocorre através da Igreja, isto é, para todos os homens que estão na Igreja terrena. Mas isto não está de acordo com o pensamento de Agostinho. Aqui poderíamos perguntar se os anjos conheciam o mistério da Encarnação desde o início do mundo. O Mestre responde que isso era conhecido pelos anjos superiores, mas não pelos inferiores. Então os anjos inferiores perguntam: “Quem é este que vem de Edom, com roupas tingidas de Bosra?” (Is. 63:1). Esta opinião contradiz a do Beato Dionísio que vê nas Sagradas Escrituras duas perguntas feitas pelos anjos sobre Cristo. A primeira é do Salmo 23 (8): “Quem é este Rei da Glória?” e a outra é de Isaías 63 (1): “Quem é este que vem de Edom?” Segundo Dionísio, o primeiro é solicitado pelos anjos inferiores e o segundo pelos superiores. Ele baseia isso no fato de que Deus não responde ao primeiro, mas alguém diz: “O Senhor dos Exércitos é o Rei da Glória” (Salmo 23:10). Enquanto a segunda é respondida por Deus imediatamente: “Eu, que falo a justiça e sou defensor da salvação” (Is. 63:1). Por isso, Dionísio prefere dizer que ambos ignoravam alguns [aspectos do mistério] e conheciam outros. Desde o início, todos conheciam o mistério da Encarnação de uma forma geral, mas com o passar do tempo - ou no processo temporal - aprenderam seus padrões detalhados e inteligíveis quando foram explicados em eventos externos. - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:11

A multiplicidade deste conhecimento revelado obedece a uma pré-determinação das idades, ou seja, à diferenciação e à limitação dos vários tempos. Pois Deus planeja que algo exista em um momento e outros em outro momento. Desta forma, tal sabedoria é referida como múltipla de acordo com uma pré-determinação das idades, uma vez que ele fornece tempos diferentes com eventos diferentes. A fonte desta multiplicidade é Cristo; portanto, ele diz o que Deus fez em Cristo Jesus nosso Senhor, isto é, por meio de Cristo. Pois ele mesmo altera os tempos e seus estados: “Deus, que antigamente falou aos pais muitas vezes, e de muitas maneiras, pelos profetas, nestes dias nos falou por último, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por quem também fez os séculos” (Hb 1:1-2). O que ele fez em Cristo Jesus pode referir-se à predestinação eterna, uma vez que o Pai realiza isso em seu Filho: “Ele nos escolheu nele [Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos” (Efésios 1:4). Pois o próprio Filho é a sabedoria do Pai, e nada é determinado ou preordenado exceto através da sabedoria. Ou que ele fez em Cristo Jesus pode referir-se ao cumprimento da predestinação eterna que Deus, o Pai, completa através do Filho. Nós somos aqueles “para quem já chegaram os fins dos tempos” (1 Coríntios 10:11). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:12

O efeito desta fonte consiste num grande fruto que nos vem de Cristo. Isto é expresso em quem temos segurança... Com relação a isto ele faz duas coisas: Primeiramente, ele estabelece as bênçãos que recebemos. Segundamente, ele designa por meio do quê as recebemos (3:12b). Há dois bens que obtemos. Um pertence à esperança de alcançar [nossa recompensa]; e com referência a isto ele diz em quem, a saber Cristo, temos segurança de chegar ao céu e nossa herança eterna. "Tende confiança, eu venci o mundo" (Jo 16:33). "Tal segurança temos nós, por Cristo, para com Deus" (2 Cor 3:4). O segundo bem pertence ao poder de alcançar [nossa recompensa]; com respeito ao qual ele afirma que temos acesso com confiança. "Vamos, portanto, com confiança ao trono de sua glória" (Hb 4:16). "Clamará por mim: Tu és meu Pai e não deixarás de caminhar após mim" (Jr 3:19). "Pelo qual [Cristo] também temos acesso por fé nesta graça em que permanecemos; e gloriamo-nos na esperança da glória dos filhos de Deus" (Rm 5:2). O meio pelo qual nos são dados é por fé nele, a saber, de Cristo. "Sendo, portanto, justificados pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1). Para que resumamos [o que foi dito acima] brevemente, afirmo que a sabedoria multiforme de Deus é revelada na diferenciação e predeterminação dos séculos, que nos dá segurança e acesso ao Pai pela fé nele. — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:13

Depois que o Apóstolo tratou da dignidade do ofício pertencente a sua posição (3:3), ele passa a falar de suas tribulações e sofrimentos. Com referência a isto ele faz duas coisas: Primeiro, exorta-os para que não sejam perturbados por seus sofrimentos; devem ter paciência. Em segundo lugar, visto que a assistência divina é necessária se o homem não há de se agitar, ele ora para que realizem isto pela graça divina (3:14). Sobre o primeiro ele diz: Devido à importância e segurança do meu ofício, que tenho através da fé em Cristo, acontece que sofro tribulações; mas elas nem me atemorizam nem podem me afastar de Cristo. "Quem pois nos separará do amor de Cristo? Porventura a tribulação? Ou a angústia? Ou a fome? Ou a nudez? Ou o perigo? Ou a perseguição? Ou a espada?" (Rm 8:35). Como se afirmasse que nada pode. Portanto vos exorto e rogo que não desmaiem em minhas tribulações. Meus sofrimentos não devem ser ocasião para que desfaleceis na fé ou em boas obras em absoluto. "Considerai aquele que suportou tal contradição de pecadores contra si mesmo; para que não vos canseis, desfalecendo de ânimo" (Hb 12:3). Declaro que não deveis desanimar, eles são para vós, para vossa utilidade. "Quer em tribulação, é para vossa exortação e salvação; quer sejamos consolados, é para vossa consolação; quer sejamos exortados, é para vossa exortação e salvação, o que também produz o suportar dos mesmos sofrimentos que também nós sofremos, para que nossa esperança acerca de vós seja segura, sabendo que assim sois participantes dos sofrimentos, assim também o sereis da consolação" (2 Cor 1:6-7). Ou, ele diz para vós querendo dizer, para vosso provamento: "Como ouro na fornalha os provou, e como vítima de holocausto os recebeu" (Sb 3:6). O que é vossa glória se não desfaleceis mas permaneceis firmes nos sofrimentos, pois "Aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mt 10:22). De outro modo, o que é vossa glória, isto é, o suportar de nossas tribulações é para vossa própria glória em que Deus expõe seus Apóstolos e profetas aos sofrimentos e dores por causa de vossa salvação. "Portanto os cinzelei nos profetas, matei-os pelas palavras de minha boca" (Os 6:5). "Vós sois nossa glória, assim como também nós o somos vossos, no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Cor 1:14). — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:14

Em consequência ele prossegue (v. 14) para implorar assistência para eles através de uma oração para que possam tirar proveito de sua exortação. Primeiro, ele apresenta a oração. Em segundo lugar, confiante de ser ouvido, adiciona uma ação de graças (3:20). A primeira parte tem três seções: Primeiro, menciona a quem a oração é dirigida. Em segundo lugar, a intenção da oração (3:16). Em terceiro lugar, o fruto da oração (3:18). A humildade torna uma oração digna de ser ouvida: "Ele teve consideração pela oração do humilde: e não desprezou a petição deles" (Sl. 101:18). E, "A oração daquele que se humilha penetrará as nuvens: e até chegar não será confortado" (Ecl. 35:21). Por isso, ele imediatamente começa sua oração em humildade dizendo Por esta causa que vós não desfaleçais na fé me curvo perante o Pai. Isto é um símbolo de humildade por duas razões. Primeiro, quando um homem se ajoelha, ele se diminui de certa forma, e ele se sujeita àquele perante o qual se ajoelha. Desta forma ele reconhece sua fraqueza e insignificância. Em segundo lugar, força física está presente nos joelhos; ao dobrá-los um homem confessa abertamente sua falta de força. Assim, símbolos físicos externos são mostrados a Deus para o propósito de renovar e treinar espiritualmente a alma interior. [Isto é expresso] na oração de Manassés: "Dobro o joelho de meu coração..." "Pois para mim se dobrará todo joelho: e toda língua jurará" (Is. 45:24). Ele descreve em seguida a pessoa a quem a oração é dirigida, Deus, a quem retrata em sua proximidade e em sua autoridade. Pois de sua relação conosco somos encorajados a orar com confiança. Nesse sentido ele afirma ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e cujos filhos somos também. "Todo bem perfeito e todo presente perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes" (Tg. 1:17). "Tu, Senhor, és nosso Pai, nosso Redentor: desde a eternidade é o teu nome" (Is. 63:16). — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:15

Somos confirmados na esperança de obter o que pedimos com confiança pela sua autoridade, pois dele é nomeada toda a paternidade no céu e na terra. Neste ponto surge a questão se existe alguma paternidade no céu. Uma resposta rápida seria que no céu significa que a paternidade está presente em Deus e na Divindade, e que esta é a fonte de toda paternidade. Mas isto não é questionado aqui, é do conhecimento de todos os fiéis. Pergunta-se se no céu, isto é, nos anjos, existe alguma paternidade. A isto respondo que a paternidade só existe entre seres que vivem e que sabem. Mas a vida é dupla: é real ou potencial. Possuir as atividades vitais em potência é estar potencialmente vivo; por exemplo, diz-se que uma pessoa que está dormindo está potencialmente viva em relação às ações externas [que ela realiza quando acordada]. Mas quando alguém realmente realiza as atividades vitais, ele está vivo em ato. Assim, não só aquele que transmite a potência à vida é pai daquele a quem a dá, mas também aquele que comunica um ato de vida pode ser chamado de pai. Portanto, quem estimula outro a algum ato vital, seja à boa atividade, à compreensão, ao querer ou ao amar, pode receber o nome de pai. “Porque se tendes dez mil instrutores em Cristo, ainda assim não são muitos pais” (1 Coríntios 4:15). Da mesma forma, nos atos hierárquicos pelos quais um anjo ilumina, aperfeiçoa e purifica outro, é evidente que esse anjo é o pai do outro – assim como um professor é o pai de seus discípulos. Alguns duvidam que a paternidade no céu e na terra seja derivada da paternidade que existe na Divindade. Parece que não, pois damos nomes de acordo com o nosso conhecimento da realidade nomeada. E tudo o que sabemos é através das criaturas; portanto, os nomes que damos às próprias coisas são aplicáveis ​​principalmente, e em maior grau, às criaturas, e não a Deus. Respondo e afirmo que o nome de qualquer coisa que nomeamos pode ser interpretado de duas maneiras. Num deles é expressivo ou simbólico de um conceito intelectual, pois as palavras são as marcas ou sinais das impressões ou conceitos que estão na alma. Nesta perspectiva, um nome refere-se mais às criaturas do que a Deus. Contudo, no segundo [o nome] revela a quididade do objeto externo que é nomeado; assim se referirá mais a Deus. Portanto, a palavra paternidade, quando significa um conceito formado pelo nosso intelecto ao nomear uma coisa, será principalmente aplicável às criaturas em vez de a Deus, uma vez que as criaturas são mais conhecidas por nós do que Deus. Mas quando significa a própria realidade que foi nomeada, então [esta realidade] está principalmente em Deus e não em nós. Pois certamente todo o poder de procriar presente em nós vem de Deus. Assim diz ele de quem toda paternidade no céu e na terra é nomeada como para afirmar: A paternidade presente nas criaturas é, por assim dizer, nominal ou vocal; mas a paternidade divina pela qual o Pai comunica ao Filho toda a sua natureza sem nenhuma imperfeição, esta é a verdadeira paternidade. - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:16

Depois (v. 16), ele revela pelo o que ele ora: Primeiro, ele faz isto. Segundamente, ele mostra através de quem ele pode pedir pelo o que deseja (3:16b). Assim ele diz: Peço que não desistam, mas sejam firmes como homens. Mas sei que por vós mesmos não podeis conseguir isto sem o dom de Deus, assim imploro que ele vos o conceda já que "todo bom presente e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes" (Tg. 1:17). Ele fará isto segundo as riquezas de sua glória, isto é, de acordo com sua majestade e grandeza transbordantes. "Glória e riquezas estão em sua casa" (Sl. 111:3), e "Comigo estão as riquezas e a glória" (Pv. 8:18). Riquezas, digo, que vos causarão ser fortalecidos com poder. "É ele quem dá força ao cansado, e aumenta as forças e o vigor dos que não as têm" (Is. 40:29). Isto é para o homem interior porque um homem é vencido facilmente por seu inimigo se não está interiormente fortalecido. [Deus deve] "estabelecê-lo e fortalecê-lo com julgamento e com justiça, desde agora e para sempre" (Is. 9:7). Insert no acima está a frase por seu Espírito indicando através de quem as petições são concedidas. O Espírito mesmo fortifica, ele é o Espírito da fortaleza, e é a fonte de nosso não ceder sob sofrimentos. — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:17

Nós o recebemos através de uma fé que é mais forte porque é a substância das realidades que esperamos – isto é, faz com que essas realidades desejadas existam dentro de nós. Daí 1 Pedro 5 (9) [a respeito do diabo]: "A quem resistis, fortes na fé." E Paulo acrescenta que Cristo pode habitar em seus corações pela fé. “Santificai o Senhor Cristo em vossos corações” (1 Pedro 3:15). Com o quê? Afirmo que não deve ser apenas através da fé, que como dom é o mais forte, mas também através da caridade que está nos santos. Para que você possa estar enraizado e fundado em uma caridade que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca desaparece” (1 Coríntios 13:7-8). “Porque o amor é forte como a morte...” (Cant. 8:6). Uma árvore sem raízes ou uma casa sem alicerces são facilmente destruídas. Da mesma forma, um edifício espiritual não enraizado e fundado na caridade não pode durar. - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:18

Anteriormente o Apóstolo revelou o objeto de sua petição ou oração em favor dos Efésios, um fortalecimento do espírito na fé e na caridade (3:14). Consequentemente, ele aqui mostra o fruto deste fortalecimento através da fé e da caridade; é um certo tipo de conhecimento. Ele apresenta: Primeiro, o próprio conhecimento. Em segundo lugar, a potência efetiva desta consciência ou conhecimento (3:19b). Ele diz: Vocês devem estar tão enraizados e fundamentados na caridade, caríssimos, que sejam capazes de compreender, com todos os santos, qual é a largura e o comprimento e a altura e a profundidade. Isto pode ser lido de duas maneiras. Da primeira forma estamos mais de acordo com o pensamento do Apóstolo. O conhecimento de Deus é necessário para nós tanto na vida futura quanto no presente. Pois no futuro nos regozijharemos em nosso conhecimento de Deus e em nossa percepção da humanidade [do Filho] assumida. "Ora, a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17:3). [Nosso Senhor comparou-se a uma porta; os homens] "entrarão" para contemplar a divindade, e "sairão" na contemplação da humanidade, "e acharão pastos" (Jo 10:9). A fé inaugura aquele conhecimento futuro; é "a substância das coisas esperadas" (Hb 11:1), já fazendo as realidades que desejamos existirem dentro de nós de maneira incipiente. Por esta razão nossa fé consiste na divindade e humanidade de Cristo. "Pois nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" (1 Co 2:2). De acordo com isto ele discute: Primeiro, o conhecimento da divindade. Em segundo lugar, o conhecimento dos mistérios da humanidade (3:19). Ele revela o conhecimento da divindade a eles com as palavras: que sejam capazes de compreender, com todos os santos... Como se dissesse: Sejam fortes na fé e na caridade pois se forem, ganharão a vida eterna onde desfrutarão a presença de Deus e o conhecerão perfeitamente. É evidente de João 14 (21) que Deus se revela àquele que ama: "Quem me ama será amado de meu Pai; e o amarei e me manifestarei a ele." É também claro que ele se mostra àquele que crê, conforme uma leitura variante de Isaías 7 (9) coloca: "Se não crerdes, certamente não permanecereis." Você deve ser fortalecido pela fé e pela caridade para que seja capaz de compreender. Deve-se notar que às vezes compreender significa "encerrar", e então é necessário que o que compreende contenha totalmente em si mesmo o que é compreendido. Às vezes significa "apreender", e então afirma um afastamento ou distância e ainda implica proximidade. Nenhum intelecto criado pode compreender Deus da primeira maneira. "Porventura compreenderás os caminhos de Deus, e acharás perfeitamente o Todo-poderoso?" (Jó 11:7). A resposta implicada é, Não. Pois alguém poderia conhecê-lo perfeitamente na medida em que [soubesse tudo] o que podia ser sabido sobre ele. E este tipo de conhecimento não é mencionado em que sejam capazes de compreender, mas sim o segundo tipo. Este último é um dos três dotes, e é dele que o Apóstolo fala aqui quando diz que sejam capazes de compreender, significando, que desfrutem da presença de Deus e o conheçam intimamente. "Não que o haja já alcançado, ou seja já perfeito; mas prossigo para o alvo, se porventura também o alcançar, sendo já alcançado por Cristo Jesus" (Fl 3:12). Tal compreensão é comum a todos os seus santos; por isso ele acrescenta com todos os santos. "Esta glória é para todos os seus santos" (Sl 149:9). "Assim correi, para que alcanceis" (1 Co 9:24). Note-se que as palavras qual é a largura e o comprimento e a altura e a profundidade parecem dever sua origem à passagem em Jó 11 (7-9). "Porventura," ele diz, "compreenderás os passos de Deus?" Como se afirmasse que Deus é incompreensível. Então ele dá a razão para esta incompreensibilidade dizendo: "Ele é mais alto que o céu, e que podes fazer? É mais profundo que o inferno, e como o conhecerás? A medida dele é mais comprida que a terra, e mais larga que o mar." Porém disto parece que Jó, ao atribuir as quatro dimensões diferentes a ele, mostra que ele é compreensível. Aludindo a estas palavras o Apóstolo afirma que sejam capazes de compreender qual é a largura e o comprimento e a altura e a profundidade; como se dissesse: Que possuam fé e caridade suficientes para compreender aquele que é capaz de ser compreendido. Dionísio explica o texto desta forma. Sob pretexto nenhum estas dimensões devem ser concebidas como fisicamente aplicáveis a Deus, "Deus é espírito" (Jo 4:24). Elas são em Deus metafóricas. A largura designa a dimensão ou extensão de seu poder e sabedoria divina sobre todo ser. "E a derramou," a saber sabedoria, "sobre todas as suas obras" (Ecl 1:10). Pelo comprimento sua duração eterna é significada: "Mas tu, ó Senhor, perduras para sempre" (Sl 101:13), e "santidade convém à tua casa, ó Senhor, por um longo tempo de dias" (Sl 92:5). A altura ou elevação denota a perfeição e nobreza de sua natureza que infinitamente excede toda criação: "O Senhor é elevado acima de todas as nações: e sua glória acima dos céus" (Sl 112:4). Na profundidade a incompreensibilidade de sua sabedoria é insinuada: "É uma profundidade grande," esta sabedoria divina, "quem a descobrirá?" (Ecl 7:25). Claramente, portanto, o cumprimento de nossa fé e caridade é chegar a um conhecimento perfeito da fé, por ela saberemos, no grau em que pudermos alcançá-lo, a extensão infinita de seu poder, a eternidade ilimitada de sua duração, a elevação de sua natureza mais perfeita, e a incompreensibilidade e profundidade de sua sabedoria. — Comentário sobre Efésios

Efésios 3:19

Em seguida, como também é necessário um maior conhecimento – um conhecimento dos mistérios da humanidade – ele passa a conhecer também a caridade de Cristo. Pois tudo o que aconteceu no mistério da redenção humana e da encarnação de Cristo foi obra do amor. Ele nasceu da caridade: “Porque a sua extraordinária caridade, com que nos amou, mesmo quando ainda estávamos mortos em pecados, nos vivificou juntamente com Cristo” (Efésios 2:4-5). Que ele tenha morrido também nasceu da caridade: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15,13). E “Também Cristo nos amou e se entregou por nós como oblação e sacrifício a Deus” (Efésios 5:2). Por esse motivo, São Gregório exclamou: “Ó amor incalculável da tua caridade! Para redimir os escravos entregaste o teu Filho”. Segue-se que conhecer o amor de Cristo é conhecer todos os mistérios da Encarnação de Cristo e da nossa Redenção. Estas brotaram da imensa caridade de Deus; uma caridade que excede toda inteligência criada e o conhecimento [combinado] de todas elas, porque não pode ser apreendida pelo pensamento. Assim ele diz o que ultrapassa todo conhecimento natural e todo intelecto criado: “A paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e mentes em Cristo Jesus” (Filipenses 4:7). Pois a caridade de Cristo é [a manifestação] daquilo que Deus Pai realizou por meio de Cristo: “Deus realmente estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Cor. 5:19). A outra forma de ler esta passagem (vv. 18-19) refere-se à perfeição da nossa caridade. Como se ele dissesse: Sede fortes, enraizados e fundados na caridade, para que possais compreender – e não apenas conhecer – todos os santos; visto que este dom da caridade é comum a todos, ninguém pode ser santo sem caridade, como indica o terceiro capítulo de Efésios. Que você, eu digo, compreenda qual é a amplitude da caridade, estendendo-se, como o faz, até mesmo aos inimigos: “O teu mandamento é muito amplo” (Salmo 118:96). Pois a caridade é ampla em sua difusão: “E o Senhor me levou a um lugar amplo” (Salmo 17:20). Sua extensão é vista em sua durabilidade, nunca parando, começa nesta vida e é aperfeiçoada na glória: “A caridade nunca desaparece” (1 Coríntios 13:8), e “Muitas águas não podem apagar a caridade” (Cant. 8:7). Sua altura é percebida em sua motivação que é celestial; Deus não é amado para obter vantagens temporais - amor esse que seria doentio - mas ele é amado apenas por si mesmo. “Levante-se ao alto e seja glorioso” (Jó 40:5). Profundidade significa a própria fonte da caridade. Pois o nosso amor a Deus não brota de nós mesmos, mas do Espírito Santo, como menciona Romanos 5 (5): “A caridade de Deus é derramada em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos é dado”. Conseqüentemente, o fato de uma pessoa possuir um amor duradouro, extenso, sublime e profundo, enquanto outra pessoa não o possui, surge das profundezas da predestinação divina. E "quem mediu a profundidade do abismo?" (Eclesiastes 1:2). Assim podereis compreender, no sentido de alcançar perfeitamente, com todos os santos, qual é a amplitude com que a vossa caridade deve estender-se até aos inimigos, e qual é a extensão durante a qual ela nunca cessa, e a sua altura em amar a Deus por si mesmo, e a profundidade da predestinação divina [da qual ela brota]. Neste ponto, deve-se compreender que estava ao alcance de Cristo escolher o tipo de morte que desejava. E como sofreu a morte por caridade, escolheu a morte de cruz, na qual estão presentes as referidas quatro dimensões. A trave tem largura e nela foram pregadas as suas mãos porque através da caridade as nossas boas obras devem estender-se até aos adversários: “O Senhor me levou para um lugar espaçoso” (Sl 17:20). O tronco da cruz tem comprimento contra o qual se apoia todo o corpo, pois a caridade deve ser duradoura, sustentando e salvando o homem: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo” (Mt. 10,22). A projeção de madeira [acima da trave], contra a qual a cabeça é jogada para trás, tem altura, pois a nossa esperança deve elevar-se em direção ao eterno e ao divino: “A cabeça de todo homem é Cristo” (1 Cor. 11:3). A cruz é sustentada pela sua profundidade que fica escondida sob o solo; não se vê porque a profundidade do amor divino que nos sustenta não é visível na medida em que os planos de predestinação, como foi dito acima, estão além da nossa inteligência. Desta forma deveríamos compreender o poder do nosso amor e do amor de Cristo, percebendo que o seu ultrapassa a compreensão humana. Pois ninguém poderia saber o quanto Cristo nos amou; nem se pode conhecer a caridade do conhecimento de Cristo, [aquele amor] que é possuído pelo conhecimento de Cristo. Afirmo que tal caridade supera um amor sem conhecimento. Não é correto que uma instituição de caridade com conhecimento seja mais eminente do que uma instituição de caridade sem conhecimento? Parece que não, pois então um teólogo perverso teria uma caridade de maior dignidade do que uma velha santa. Respondo que o que se discute aqui é um conhecimento que exerce sua influência [na vida e na conduta]. Pois a força do conhecimento estimula a amar mais, pois quanto mais Deus é conhecido, tanto mais ele é amado. Por isso Agostinho pedia: “Para que eu te conheça e me conheça”. Ou isto é afirmado aqui por causa de alguns que possuem zelo por Deus “mas não com conhecimento” (Romanos 10:2). A caridade aliada ao conhecimento de Cristo acima mencionado supera o amor de tais pessoas. A seguir ele fala da eficácia do conhecimento do divino. Para que você possa ser preenchido com toda a plenitude de Deus, isto é, para que você possa desfrutar de uma participação perfeita em todos os dons de Deus. Em outras palavras, para que você possa possuir a plenitude das virtudes aqui e a bem-aventurança na próxima vida – a caridade realiza exatamente isso. “Vinde a mim, todos os que me desejam, e saciai-vos dos meus frutos” (Eclesiastes 24:26). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:20

Depois disso, o Apóstolo dá graças a Deus por ouvir a sua oração (v. 20). Em referência a isso, ele faz três coisas: Primeiro, ele menciona o poder de Deus com o qual atende petições. Em segundo lugar, ele dá um exemplo desse poder (3.20b). Em terceiro lugar, ele menciona o que motiva a sua ação de graças (3:21). Ele descreve o poder infinito de Deus, dizendo Agora para ele, ou seja, para Cristo como Deus e Deus Pai, que é capaz de fazer todas as coisas: “Todo-Poderoso é o seu nome” (Êxodo 15:3). “Agora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo” (Romanos 16:25). Ele efetua isso dentro de nós mais abundantemente do que saberíamos pedir através do desejo ou compreenderíamos com a nossa inteligência. Ele dá um exemplo dessa profusão dentro de nós [do poder divino], dizendo de acordo com o poder que opera em nós. Como se ele tivesse afirmado: Torna-se evidente quando consideramos o que ele operou em nós, homens. Pois a mente e a vontade humanas nunca poderiam imaginar, compreender ou pedir que Deus se tornasse homem, e que o homem se tornasse Deus e participante da natureza divina. Mas ele fez isso em nós pelo seu poder, e foi realizado na Encarnação de seu Filho. “Para que por meio disso vos torneis participantes da natureza divina” (2Pe 1:4). A respeito desses assuntos, Eclesiástico 18 (2-4) diz: “Quem poderá declarar as suas obras? Pois quem investigará os seus atos gloriosos? Ou, isso opera em nós, Apóstolos, a quem ele deu a graça de proclamar a boa nova das “riquezas insondáveis ​​de Cristo; e de iluminar todos os homens, para que vejam qual é a dispensação do mistério que está oculto desde a eternidade em Deus” (Efésios 3:8). - Comentário sobre Efésios

Efésios 3:21

A matéria do agradecimento é a bênção dupla que Deus nos concedeu. A primeira é a instituição da Igreja, e a segunda a Encarnação de seu Filho. Daí diz a ele, Deus Pai, seja a glória na Igreja por tudo o que fez na Igreja que estabeleceu, e em Cristo, isto é, por Cristo; ou por Cristo a quem nos deu. A ele, repito, seja a glória para que sua glória resplandeça, não apenas agora, mas até todas as gerações da era das eras, significando na era que abraça todas as coisas. "Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para sempre e sempre. Amém" (1 Tm 1:17). — Comentário sobre Efésios