Juízes 6
Caesarius of Arles
Juízes 6:11-12
Quando Gideão, filho de Joás, estava debulhando trigo com uma vara debaixo de um carvalho, mereceu ouvir um anjo prometer que libertaria o povo de Deus do poder de seus inimigos. Não é admirável que ele tenha sido escolhido para uma graça especial, quando pelo mistério predestinado da futura encarnação ele estava até então assentado à sombra da cruz da santa e venerável sabedoria. Ele estava trazendo os grãos tangíveis de um campo frutífero para fora de seu ocultamento, separando homens santos escolhidos da palha inútil. Pondo de lado as superfluidades do homem velho e suas ações ao tratá-los com a vara da verdade experimentada, são reunidos na igreja como em um lagar. A igreja é o lagar da fonte eterna em que abundam o fruto da videira celeste. — SERMÃO 117.1
Juízes 6:36-40
Agora, embora Gideão fosse corajoso e confiante, ainda assim buscou provas mais completas de vitória do Senhor, dizendo, "Se verdadeiramente vai salvar a Israel por meu intermédio, como prometeste, ó Senhor, estou pondo este velo de lã na eira. Se orvalho descer sobre o velo, enquanto toda a terra fica seca, saberei que salvarás o povo por meu intermédio, como prometeste." Isto é o que aconteceu. Depois, acrescentou que na segunda vez o orvalho deveria cair sobre toda a terra e apenas o velo ficar seco; e assim aconteceu. O orvalho sobre o velo era a fé na Judeia, pois as palavras de Deus descem como orvalho; por esta razão Moisés diz, "Que meu discurso seja esperado como a chuva, e minhas palavras desçam como o orvalho." Assim, quando todo o mundo estava ressecado pelo calor improdutivo da superstição gentílica, então havia o orvalho de uma visitação celeste sobre o velo, isto é, na Judeia. Porém, depois que "as ovelhas perdidas da casa de Israel" (prefigurando, creio, a figura do velo dos judeus) recusaram a fonte de água viva, o orvalho da fé secou nos corações dos judeus, e aquele fluxo divino virou seu caminho para os corações dos gentios. Por esta razão, agora todo o mundo está úmido com o orvalho da fé, mas os judeus destruíram seus profetas e conselheiros. Não é maravilha que se submetam à secura da infidelidade, uma vez que o Senhor Deus os privou das chuvas frutíferas dos profetas, dizendo, "Ordenarei às nuvens que não derramem chuva sobre aquela vinha." Salutar é a chuva da nuvem profética, como disse Davi: "Será como chuva sobre o prado, como aguaceiros a regar a terra." Os escritos sagrados de todo o mundo nos prometeram aquela chuva que regou o mundo na vinda de nosso Senhor e Salvador com o orvalho do espírito divino. Assim, o orvalho já veio, e também a chuva; o Senhor veio e trouxe consigo chuvas celestes. Por esta razão, nós que tínhamos sede agora bebemos, e por uma bebida interior [nós] absorvemos aquele espírito divino. Portanto, o santo Gideão previa que ao perceber a fé, até mesmo tribos e nações beberiam o verdadeiro orvalho celeste. — SERMÃO 117:4